Encanto e Decepção do Cigano Magno

8º Episódio

Capítulo I

Depois que Dseyvar entregou a Ampulheta para a Senhora cigana e desmaiou. Deixaram que ele ficasse descansando na Barraca.
Afinal de contas ele passara por um grande estresse.

Fizeram uma padiola e levaram Mah para a tenda de Soraya (a Senhora cigana que pediu a ampulheta). Last não era bem vindo entre eles por ser um vampiro, então ele apenas seguia em silêncio o cortejo Gitano Andaluz que se descortinava na escuridão da estrada, dirigido pela sorte nômade dos pensamentos que seguiam o próprio curso. Magno e Enrico carregavam a padiola, as mães ciganas faziam suas orações para proteção espiritual e Last os Seguia como protetor material.

Quando chegaram à tenda e acomodaram a ciganinha, Soraya preparou um amuleto com a ampulheta e pediu ao Cigano Magno que fosse buscar o Bardo Galeon Haruk bem rápido ou não teriam mais chance. Magno perguntou se não seria melhor pedir a Elessar que fosse busca-lo. Por ele tele transportar. Soraya disse que ele estava cuidando dos ferimentos de Sitaara e eu.
 Então Magno foi correndo por entre as árvores o mais rápido que pôde.
 No caminho pegou um arando madurinho e começou a saborear enquanto seguia o caminho da taberna. Estava com fome, não se alimentava desde a manhã nas montanhas de Vangah.
 Ao saborear o arando Magno lembrou-se de algo que passou a uns dez anos atrás mais ou menos depois de uma noite com visitantes no acampamento cigano:

- Que lembrança boa! Ao saborear essa fruta colhida assim na árvore do meio da floresta lembrei-me de quando eu era menino e algumas crianças visitaram meu acampamento, convidada por um “calon” que estudava ciências humanas.

Elas me deixaram muito triste por dizer para mim que ficaram decepcionados com meu povo.

Era noite fria e como de costume, havia uma grande fogueira no meio do acampamento. As crianças do meu povo corriam de um lado para o outro esperando pra comerem a carne que os ciganos estavam temperando para assar nas brasas da fogueira e saborearmos. Alguns meninos até dançavam junto as meninas ciganas que foram dispensada dos afazeres enquanto suas mães e irmãs preparavam alimento para todos.

Eu estava um pouco afastado, não tinha nenhuma vontade de estar entre as brincadeiras infantis.
Ficava de longe só observando tudo enquanto mastigava meu talhinho de hortelã. É um costume cigano.

Eu não podia acreditar que Já tinha se passado uma semana desde que encontrei o “Sir Elegante” e nunca mais o tinha visto.
Os visitantes me deixaram mais acabrunhado ainda por dizerem aquilo;
Eles achavam; que nós passávamos dia e noite cantando e tocando.
“Gypsy Kings”! Achavam também:

* Que nas fogueiras eram feitas magias diariamente e que o acampamento tinha um eterno aroma de incensos.
* Que as Ciganas não paravam de dançar rodando suas saias de 20 metros.
* Que os homens todos viviam vestidos de cetim e seda pura, bebendo vinho e tocando violinos.
Perguntaram até pelas carruagens e pelos nossos cavalos brancos.

Estávamos sim, com uma grande fogueira acesa, por estar muito frio, para espantar os insetos e para aproveitarmos as brasas para o assado.
Os homens estavam vestidos de Jeans, camisas simples, Jaquetas e botas temperando a caça.
E as ciganas ostentavam suas roupas do dia a dia e estavam ocupadas nos seus afazeres domésticos.

Não vestíamos cetim e seda no nosso dia a dia, as ciganas não dançavam a beira da fogueira com suas longas saias e não fazíamos mandingas na fogueira porque temos uma vida como todos eles, e não era dia de festas para estarmos tocando violinos, cantando e bebendo vinhos.

As crianças “gadjés” perpetuavam em suas mentes os ciganos que seus pais colocavam lá, sem saber diferenciar a vida real e a vida ilusória.
Não quero dizer com isso que não existam algumas práticas religiosas ou místicas nas fogueiras.
Afinal somos seres humanos como eles:

Ainda que míticos... Somos poetas, comerciantes, artesãos, artistas, leitoras da sorte, vendedores de carros, palhaços, dançarinos e músicos.
Somos malabaristas nas artes do circo e da vida.
Veladores da angústia de pertencer a uma etnia nômade, oposta aos nossos valores culturais, ou talvez em fase de mutação e de reciclagem.
Mas somos guardiões de uma cultura milenar,
“Minha pátria é onde os meus pés estão”

Mas preferi ignorar mesmo estando triste pelo que pensavam de nós, eu já estava passado demais para me incomodar com mais essas coisas dos gadjés .
O “Sir Elegante” havia me deixado alguns presentes que para ser sincero: eu não encontrava qualquer utilidade para eles. Bem, além de ter usado a adaga para cortar um pedaço de carne.
Desde então, eu não soube mais nada dele.

Eu era somente um garoto e não tinha nenhuma pista de onde procurar um vampiro. Pensei até em fazer algumas perguntas ao bardo (que sabe todas as coisas) Para ele me dar algumas pistas do tipo: Onde se encontra um vampiro? O que eu precisava fazer para ser ouvido por ele? Porque razão ele me deu aqueles objetos e nunca mais voltou se ele é o único vampiro que conheço.

Mas, enfim, achei a ideia bem idiota e a tirei a da cabeça.
Tirei da cabeça a ideia de procurar alguém para me ajudar nesse intento, não a vontade de ser um espadachim como ele.
Por isso naquele dia eu estava lá com aquela cara de poucos amigos e sem nada de novo enquanto poderia estar mostrando para aquelas crianças bobas como brinca um garoto cigano...
Já havia passado algum tempo e eu estava a fim de esquecer aquilo Tudo. Fui para o fundo do acampamento e recostei em um grande carvalho Mastigando meu galhinho de hortelã. Meu povo reverencia os carvalhos por ser uma das árvores mais idosas e sábias da floresta. O tempo corria morosamente e eu fechei meus olhos tentando pensar apenas em coisa vans e já estava quase adormecendo quando soprou um vento leve e frio por todo o meu corpo junto com uma voz conhecida, me fazendo despertar e dar um pulo.

- Como sempre, seu povo é bem animado!!


-Senhor! Exclamei com uma felicidade sem tamanho.

- Faz bastante tempo, dês de que…


Dizendo isso, ele se calou.

- Desde o que, senhor? - Perguntei

Mas, houve apenas o silêncio...

O “Sir Elegante” observava a fogueira e vez ou outra, olhava em direção às pessoas que sorriam, cantavam, os adultos davam broncas nas crianças. O fogo brilhava em seus olhos!

Parecia-me que ele se lembrava de algo bom! E sem parar de observar com atenção e melancolia ele me disse:

- Last! Meu nome é Last Vladesk! Talvez, voce já tenha ouvido o meu nome.

- Seu nome? Desculpa senhor! Essa é a primeira vez que escuto esse nome.

- Entendo!

Disse Last… Mais uma vez, parecendo lembrar alguma coisa...

E sem que eu esperasse perguntou:

- Quem é a pessoa tão importante para você que tenhas arriscado falar comigo para salvá-la ?

- O meu pai, senhor… meu pai.

- O caminho que você procura é perigoso! Estarás diante de maldições e pessoas cruéis. E para se livrar você irá precisar sujar suas mãos de sangue! Sabe o que eu quero dizer com “sujar as mãos de sangue”?


-Duelar, como o Senhor fez naquele dia?

Respondi perguntando e ele me respondeu:

- Isso seria pouco! Será um caminho muito árduo.


Fiquei em silêncio sentindo o peso o do meu desejo.
Eu só queira ser forte, forte o suficiente, para poder trazer meu pai de volta. Mas, que caminho seria aquele que ele estava me dizendo? E porque ele estava com aquele brilho tão nostálgico no rosto, quem era Last?
Porque eu poderia ter ouvido falar no seu nome? Por fim, falei:

- Não sei o que o Senhor quer dizer, mas meu povo me ensinou que “tudo é Maktub” (o destino).
Eu sempre desejei ser forte para salvar meu pai e quando o vi aquele homem lutando, meu coração acelerou, tudo que eu queria, poderia acontecer e estava diante de mim, naquele momento.
Então entendi que o destino me levou até o Senhor!
Isso é no que eu acredito, mas não sei o que será depois.

Last me olhou demoradamente e eu fiquei sem jeito, eu era só um garoto e estava falando com alguém muito poderoso.
Não sei se era instinto, mas de alguma forma me sentia a vontade como se estivesse falando com alguém que já conhecia há muito tempo, mesmo que fosse apenas a segunda vez que eu falava com ele.
Ele falou de repente quase me fazendo explodir de contentamento!

- Começaremos ao amanhecer! Esteja preparado! E saiba que voce não terá nenhuma facilidade ou atalho, tudo irá depender do seu esforço e obediência... E já vou avisando, não pagarei seus serviços, te levarei como servo!


- Han!! ...servo? …

Mais uma vez, um vento forte veio em minha direção com a poeira vermelha do solo massapé... Eu fui obrigado a cobrir meus olhos e quando os descobri... O Senhor Last já havia desaparecido.
Eu estava com um frio na barriga, não entendia bem o peso do meu pedido ao Senhor Last. Estava eufórico por aquele segredo entre ele e eu.
Eu iria ter a oportunidade de treinar com um vampiro, mas suas palavras eram sérias!

Eu não conseguia óh! Me ver matando alguém e “sujando minhas mãos” eu apenas queria ser forte! Por santa Kali! Que história foi aquela de servo? Achei que ele seria meu mestre.
Eu estava completamente eufórico, quase não consegui pegar no sono, aliás, simplesmente, não conseguia.
De tanto tentar eu adormeci e pouco tempo depois (acho, pôs pareceu só um cochilo) Senti frio e ao mesmo tempo, uma luz em meu rosto me Incomodado abrir os olhos. E a voz:

-Você está atrasado garoto! - disse Last..

Olhei em volta e vi o motivo do frio, eu estava em uma clareira, ao relento, e mesmo com o sol brilhante, estava frio.

- Você está em minha propriedade e sobre os meus cuidados.
Seu treinamento não será fácil e ninguém virá te procurar.
Porém, voce está livre para ir embora quando quiser, recomendo apenas que tenha cuidado, porque estamos rodeados por uma floresta perigosa e se voce quiser se alimentar terá que sair da propriedade e ir buscar seu sustento. Seja uma caça, frutas e o que mais voce conseguir pegar para alimentar-se. Trouxe as coisas que deixei para voce??


- Sim senhor! O que faço com elas?

Perguntas sem respostas.... Não tive tempo para qualquer protesto, nem sequer perguntar como cheguei naquele lugar. Eu estava com minha adaga e uma sacola contendo alguns itens que eu não sabia para o que servia e uma fome lascada... Nem tinha feito meu desjejum.

Além do mais, na noite anterior eu estava tão eufórico, que fui dormir sem comer, meu estômago estava roncando e logo, não conseguia pensar em qualquer coisa que não fosse comer. Coloquei a sacola nas costas, peguei minha adaga e sai pelo grande portão indo em direção às árvores, com sorte eu encontraria uma que fosse frutífera ou talvez um ninho com alguns ovos.

E que treinamento era esse? O Senhor Last já tinha sumido há algum tempo, eu estava sozinho e faminto. Mas adiante vi uma árvore cheiinha de frutas vermelhas e pensei:

- Até que enfim vou comer alguma coisa!

Meu estomago estava até me assustando com aqueles roncos altos ressoando naquele lugar solitário. As frutinhas estavam no alto, peguei um galho e derrubei várias, enchi a sacola e fui me sentar na sombra para saborear meu desjejum, peguei uma frutinha, linda vermelhinha brilhante que parecia muito suculenta.
Esfreguei na minha camisa para limpar, porque as peguei do chão e quando levei a boca...

Senti um teco me tirando a frutinha da mão... Olhei para os lados não vi nada. Peguei outra e quando ia comer... Outro teco. Aquilo estava me deixando irado. Cruzei os braços emburrado como o garoto que eu era e fazendo birra, quando ouvi a voz de Last:

- Garoto voce não pode comer qualquer fruta que ver. Principalmente se ela for brilhante, se não tiver nenhum pássaro na árvore e se as que estiverem maduras e caídas no chão, não estiverem bicadas por pássaros.
Essas são venenosas. Precisa ter atenção.


A Voz ecoava por toda propriedade como se tivessem ligado um grande alto-falante.

****

Magno ia andando bem rápido distraído com seus pensamentos e saboreando as frutas quando sentiu um forte impacto atingir seu queixo...
 Foi tão forte que ele levou alguns instantes para que percebesse o que acontecia. Tentando ignorar a dor que sentia, girou o corpo 180° de súbito e atingiu seu oponente com um soco no estômago ele cambaleou e quase caiu.

Estava diante dele alguém que à princípio, era um humano usando vestes estranhas e a cabeça totalmente coberta por um capacete, havia socado seu queixo saindo de trás da árvore, como se estivesse ali esperando pelo cigano. As vestes do humano eram negras de um tecido sintético e carregava um aparato nas costas que com certeza fornecia energia para que ele enxergasse no escuro dado que sua cabeça era toda coberta por aquele capacete.
O ser estranho não caiu e enquanto Magno se preparou para o próximo golpe o ser socou novamente com uma ligeireza sem par.
O ataque seguinte foi tão rápido que, mesmo estando alerta, o cigano não conseguiu impedir que seu lábio inferior fosse atingido.
O sangue aflorou a seguir causando o gosto agridoce.

E foi neste momento que Magno decidiu acabar logo com aquilo, antes que coisa pior pudesse acontecer. Ia pegar suas espadas, mas ao perceber que a criatura estava desarmada mudou de ideia .
Deu dois passos para trás como se estivesse deslizando e desviou de outro golpe! Em seguida a percepção aguçada do Cigano observou que o adversário  estava com seu pé esquerdo à frente, o pé direito atrás, as pernas separadas pouco mais do que a largura dos ombros e seu peso distribuído igualmente entre as partes da frente dos pés e ficava balançando o corpo, Magno pensou:

- Esse sujeito é pugilista e é destro, mas eu não luto boxe. Se eu não acabar logo com isso vou ficar levando socos.

A criatura lançou um Jab de esquerda contra Magno acertando de raspão; Como ele era destro o cigano sabia que ele não desperdiçaria um golpe fraco a toa, seria só para distrair e com certeza estava com o contragolpe pronto. 
Magno não contra atacou. Deslizou novamente para trás para ganhar espaço e usando o impulso do deslize fez um mortal para trás dando a impressão que fugia do adversário.

Em seguida, refez o mortal de volta para frente pegando o oponente com um “Kani Basami” (tesoura voadora) pela cintura e o derrubou no chão.
O oponente ainda tentou minar as forças do cigano com um “gancho” atingindo abdômen, estômago e plexo do cigano. Magno ficou sem ar, mas não soltou o adversário, pelo contrário!

Ainda mantendo ele preso no “Kani Basami” Magno girou de súbito colocando-o  para baixo dele e projetou o corpo abraçando por baixo da nuca do oponente.

O Humano entendeu que Magno usaria o estrangulamento: passando o braço pela sua garganta, segurando no antebraço que estava por baixo da sua cabeça e apertando...  Então, para evitar esse golpe mortal, ele colocou o braço na frente  para não dar ao cigano a chance de finalizar. 
Enquanto isso ele tentaria qualquer coisa para se livrar. O cigano era muito forte com as pernas. E o Boxe é uma luta de pé. 

Mas o Gitano espertamente não transpassou o braço como o oponente imaginou, passou a mão fechada por baixo do braço que o cara usou como proteção apoiou na jugular dele e forçou. O oponente estava preso entre as pernas fortes do cigano, preso no abraço pela nuca e sendo calcado na jugular. Não teve saída e morreu asfixiado pela mão fechada do cigano com as falanges apertando a jugular... Quando o cigano sentiu o corpo dele amolecer por completo o soltou.

O oponente jaz embaixo do cigano que ainda não conseguia respirar direito sem sentir dor no estômago. 
Magno se levantou tonto, apertando os olhos para se recompor, segurou na árvore, consertou a respiração e ia começar a correr, mas voltou e retirou o capacete do boxeador....

 O rosto dele era desfigurado haviam amputado os lábios dele deixando os dentes de fora, não tinha pálpebras e do aparato nas costas saia uma borracha tipo garrote que conduzia até sua boca um líquido amarelado.
Magno olhou em volta para se certificar se havia mais algum, não viu mais nenhum, então deixou a criatura lá e voltou a correr até a taberna.

Alguns quilômetros depois chegou a taberna, já estava quase desmaiando.
Galeon deu a ele algo para beber com gosto de musgo que o refez um pouco, Magno contou a ele o que foi fazer e sobre a criatura que encontrou.
Galeon disse se tratar dos “necrons” Espectros de Küerten e que são sempre enviados por algum feiticeiro.

- Por que voce não o matou logo? Voce está armado e por sinal são belas espadas.

- Eu não sabia que se tratava de espectro e ele estava desarmado.

Respondeu Magno ainda respirando com dificuldade. 
Galeon disse que ele teve sorte! Que esses seres raptam a almas dos seres que eles matam para seus amos e senhores. 
Pediu que esperasse ele pegar suas coisas e partiriam. 
Assim que pegou seu alforje e foi ao encontro de Magno... Não o encontrou! Quando passou diante do balcão viu no chão ao lado dos bancos, as espadas. 
 Galeon procurou por perto e não encontrou o cigano.
Então se sentou para esperar um pouco ele voltar apreciando suas belas espadas. Nisso chegou Elessar assustando o Bardo e disse:

= Vamos amigos! Precisamos ser rápidos. Onde está Magno?

- Não sei Elessar! Fui pegar minhas coisas e quando voltei só encontrei suas espadas.

= Oh não! Por Elentari!

- O que foi amigo?

= Uma longa história querido Bardo vamos que depois eu te conto.

Elessar pegou as espadas de Magno pendurou nas costas e partiram. (Elas têm as bainhas presas em um coldre que fica bem no meio das costas, e foi feito especialmente para elas por serem diferentes uma da outra).

Elessar transportou Galeon até a tenda de Soraya onde esperávamos e saiu imediatamente porque assim que chegaram ouvimos o rugido de Sunahara.

Enquanto Galeon preparava a transmutação para devolver Mah ao corpo... Entraram na tenda três ciganos com olhos brancos, estavam sendo controlados por alguém. As "Mães ciganas" e Enrico fizeram um circulo para protegerem Galeon que estava em transe. Deixando-os invisíveis aos ciganos hipnotizados.

 Um deles abriu a porta do armário improvisado dos ciganos apalpando através dos cabides buscando suas presas, não encontrando nada estava prestes a olhar embaixo da cama. Eu que estava lá com meu punhal na mão achando que iriam embora quando não visse ninguém, ataquei cortando os tendões de Aquiles dele. O cigano berrou de dor ao cair chamando a atenção de outro que levantou a colcha para olhar embaixo da cama, mas não viu ninguém lá.

Confuso ele levantou a cabeça e ergueu os olhos brancos bem a tempo de ver Sitaara chutá-lo no rosto.
O ultimo cigano ouviu o barulho e invadiu o quarto.
 Sitaara arrancou a vara do cabideiro do armário e usou-a como bastão derrubando o cigano que atravessou as paredes de tecido indo parar na cozinha. O que havia levado um chute me perseguiu até onde estava Sitaara e o seu oponente.

Eu rolei sobre o balcão e balancei uma planta que estava pendurada nocauteando  o perseguidor. 
Os ciganos pareciam não sentir dor, mesmo tão machucados por nós duas.
 A cozinha era um ótimo arsenal para nós, rolo de massa, tenaz de churrasco, tampas de panelas etc... Tudo se tornava uma arma.

De repente um deles voou através da cortina do banheiro armado... Ele enrolou uma toalha na mão quebrou o espelho e veio para meu lado usando um pedaço do espelho como uma faca de vidro... 
Eu girei o corpo e dei um chute espatifando a faca de vidro dele que caiu em pedaços no chão tornando perigoso para nós rolarmos no mesmo. 
Quando olhei para Sitaara ela estava com uma criatura vestida de negro, de lãs longas, que carregava uma arma mirando para ela...

Os dois estavam frente a frente. Olho no olho e ele com a arma em seu peito.

A incerteza do que iria acontecer me deixava desesperada. Os ciganos se aproximavam de nós desarmados, mas também perigosos por estarem hipnotizados e nós não poderíamos mata-los.
 Qualquer movimento que eu fizesse minha irmã morreria...;

O Ser estranho de lãs longas com a mão pesada apertou a coronha...
Os olhos azuis de Sitaara se ampliaram...
O polegar dele armou o cão...
 Ele apontava com perícia inusitada... 
Ele soprou as lãs do rosto jogando-as para longe... 
Conteve a respiração...
O indicador entrou no guarda-mato acionando as molas...
O trinque-te trepidou...
Todas as peças que compõe o movimento do gatilho se moveram...
Espremendo o gatilho suavemente...
Um estalo...
E o projétil estava na agulha...
A espoleta pronta..

O fogo daquela arma a quase dois mil graus, enviariam o projétil cortando nenhum espaço entre a boca do cano e o peito de Sitaara a uns trezentos metros por segundo com uma violenta expansão de gases... E ela estaria morta...

Eu fechei os olhos.... 
Esperando o estampido
E ao invés de um estampido ensurdecedor eu ouvi um THWICK...

... Abri os olhos...
  Magno estava de pé atrás do humano, em uma posição muito bonita com as pernas separadas e flexionadas, as duas espadas na mão... Ainda suspensas...

O corte foi tão perfeito... Tão rápido que mesmo que olhássemos não o veríamos, a cabeça do humano de negro se separou do corpo e ambas as partes caíram aos pés do nosso salvador. Eu corri para o cigano e o abracei apertado agradecendo por ter salvado minha irmã.  Sitaara apenas fechou os olhos e respirou aliviada.

Nesse momento entrou Dseyvar com cara de poucos amigos por ter sido abandonado na barraca de Camping, ao olhar o humano degolado no chão ele disse:

- Mais um “Bashu”! Precisamos queimá-lo rápido;

Sitaara perguntou:

- Um o que Elfo??

Dseyvar pegou a cabeça do tal de “Bashu” do chão e saiu para queimar com a promessa de nos contar na volta.

A magia das ciganas acabou e todos apareceram no quarto. Fomos para perto deles para saber o resultado. O Bardo estava tonto sentado na beira da cama as mães ciganas fazendo orações e Enrico sorrindo com cara de bobo da corte.

Eu continuava pendurada no pescoço de Magno... Havia me esquecido de larga-lo tão grande foi minha alegria pelo feito dele.

Nisso Mah acordou para nossa alegria.

Olhou ao redor ainda assustada, parecia que a ciganinha ainda tinha as lembranças de quando foi separada do corpo por alguém, mas ao ver que estava entre amigos foi mudando seu semblante para um gostoso sorriso radiante, mas quando seus olhos que passeavam por nós pousaram no cigano e eu ainda agarrados...

Mah sentou na cama e disse sem nenhuma cerimônia:

- Que pouca vergonha é essa! Eu nem morri ainda e voce já foi harmonizar com meu noivo ELFA! 
Magno seu SAFADO!

Só então reparei que ainda estava dependurada no cigano. (dependurada modo de dizer que ele é menor que eu) mas eu o larguei e todos nós demos gostosas risadas.

Depois contamos pra ela tudo que aconteceu. Mesmo assim ela disse.

- Tá bom Sigel! Mas podia ter largado dele assim que acabou DE AGRADECER NE??

KKKKKKKKKKKKKKKK Essa é  a Mah Esperanza que amamos....


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