Quem é Adriem?

13º Episódio
Capitulo I

Era incrível o que estava acontecendo...

Eu andei durante a noite toda, não descansei nem por um segundo para não perder tempo. Mesmo tendo a percepção aguda sobre os locais que já havia passado e a memória fotográfica, eu estava na árvore em que marcamos nossos símbolos. Como era possível?

Eu estava completamente desnorteada com o que estaria acontecendo.

Fiquei indecisa se deveria esperar na árvore já que eu estava junto a ela ou continuar a procurar. Depois de Alguns minutos de indecisão, resolvi procurar por Minha amiga Mah usando agora a visibilidade total por estar dia claro.
Comecei a andar em meio a floresta usando rastreamento, estava tudo tranquilo, no meu ver tranquilo demais sendo uma floresta fechada como aquela; onde estariam os pássaros e outros animais que fazem algazarra na floresta? 

Ouvi ruídos estranhos de animais se aproximando e arfando como os felinos. Pensei em subir na árvore, mas lembrei de que Elessar pediu que eu ficasse longe delas. Então esperei! 
Deixei minha bagagem junto a uns arbustos e me preparei para correr e saltar como desse, fugindo dos animais que estavam chegando. 
Claro que eu não iria ferir nenhum deles. 
Passado uns vinte minutos eu continuava atenta, mas não apareceu nenhum animal. Peguei minha bagagem e continuei a caminhar com atenção para não ser pega desprevenida pelos tais animais que pararam de fazer barulhos. 

Encontrei alguns indícios de alguém que passou correndo e passei a seguir esses  rastros que pareciam de uma fêmea, talvez fosse de Mah. 
Segui na direção que a fêmea havia corrido, existiam galhos quebrados e pegadas, mas nenhuma pista concreta de que fosse ela. 
Continuei andando  e seguindo os rastros porque mesmo que não fosse Mah seria alguém precisando de ajuda. 

 Cheguei perto de um rio de leito raso e atravessei, as pistas me levavam atér a outra margem. Atravessei com cautela pisando sobre as pedras que ficavam fora da água, ao chegar à outra margem vi entre as folhas um braço jogado. 
Meu coração deu um salto gigante. 
A mão era branquinha e cheia de pulseiras. Fui até lá com muito medo de encontrar minha amiga morta.

 Afastei os galhos com o coração acelerado... Encontrei o corpo de uma fêmea que pelo visto havia sido atacada pela “besta do Lenhador”... 
Era uma Elfa de Gladiah muito jovenzinha. Tinha seu abdômen dilacerado por garras e quase metade de seu braço esquerdo arrancado. 
Peguei na minha bagagem uma manta e cobri o corpo, marquei o local e continuei minhas buscas por Mah. 
A Elfinha já estava morta não teria mais o que fazer por ela. 

Eu estava com fome e com sede, mas eu não confiava naquela floresta para me aventurar a comer ou beber dela.  Sem contar o medo de estar andando em círculos novamente.... Continuei a caminhada dessa vez voltando até a árvore marcada por meus amigos, para saber se tinha alguma pista da ciganinha. Talvez já tivessem até encontrado a pequena.
Antes um pouco de chegar a árvore apareceu na minha frente um humano e perguntou espantado ao me ver ali:

- O que voce faz por aqui? Já vai escurecer! Voce não sabe que não deve andar a noite pela Floresta Negra?

Eu olhei assustada para ele, porque não vi de onde ele saiu. Era um belo homem com porte de cigano. Cabelos longos e um colar com um medalhão que chamava a atenção. Eu disse a ele:

- Salve Senhor! Sou Sigel e estou procurando minha amiga que saiu aborrecida com os amigos e não voltou! Estou desde ontem a noite procurando por ela. Nossos amigos também estão procurando, ainda não sei se já encontraram, estava voltando ao ponto de encontro para saber alguma coisa sobre.

- Era uma Elfa? – perguntou ele.

Respondi que era uma cigana de cabelos cacheados e muito bonita com uma bagagem mais ou menos como a que eu levava e perguntei a ele;

- O senhor é um cigano do Clã do Cigano Lê Mat?

- Não, quem me dera! O Clã do cigano Mat é poderoso! São ciganos que trabalham muito com magia para o amor, eles irradiam a energia do amor, em todas as suas formas. Inclusive entre homem e mulher, portanto, esses ciganos podem ajudar a buscar o amor próprio, pois como sabemos primeiro devemos nos amar para então abrirmos caminhos para quem nos ama.
Eu gostaria de ser um cigano e tocar uma viola cigana diante da fogueira.

A fogueira cigana representa a unidade espiritual da tribo. Em torno dela, todos se reúnem para celebrar a magia da vida: a força, o amor e a sabedoria que a arte do fogo nos traz. A lenha estala, pés batem no chão, fagulhas sobem em direção às estrelas, olhos "calientes" batem palmas, palmas para a chama, a chama que aquece a paixão, a paixão que pulsa, pulsa dentro de cada coração. É a festa da alma cigana!
Eu sou apenas um lenhador que não gosto do ser que eu sou! Foi por ser o que sou  que e perdi quem amo.
A palavra “LENHADOR” aguçou meus sentidos, senti vontade de fugir dele, mas eram tão tristes suas palavras que fiquei e quase me vieram as lágrimas quando eu falei a ele tentando dar alento ao seu coração.

- Não fale assim Senhor! Se um dia ela te amou, nunca deixará de amar, mesmo que estejam afastados.

Eu não sei de onde vieram essas palavras... Falei do fundo do meu coração, talvez pela noite com Elessar a beira do rio. Mas ele balançou a cabeça muito triste e disse:

- O meu amor talvez tenha asco de mim pelo que eu sou. Ela tentou me curar, mas não deu certo... É muito difícil acabar com uma magia. 
Mas vamos logo antes que escureça! Voce precisa sair da floresta o quanto antes. Vou leva-la até o seu ponto de encontro seus amigos devem estar esperando por voce.

E começamos a fazer o percurso bem rápido e em silêncio! Escureceu tão rápido que me assustei. O lenhador me disse que ele não poderia mais me acompanhar e  me pediu desculpas por precisar me deixar sozinha! Disse que eu deveria correr o mais rápido que eu pudesse até os meus amigos e quando nos encontrássemos que todos nós saíssemos da floresta pelo menos até a manhã seguinte quando estaríamos protegidos.

 Disse também que se eu não encontrei minha amiga morta é porque ela estaria bem por enquanto, e se virou para ir embora. 
Eu perguntei qual era o nome dele. Por que eu não gostava de chama-lo de lenhador,  isso o fazia um ser ruim perante mim. 
Ele respondeu antes de sumir na noite.

- Adriem! Meu nome é Adriem. Corra!!!!

Capitulo II

Aquele pedido dele reverberou em meu cérebro como uma ordem e eu corri.
Corri como nunca para chegar rápido ao meu ponto de encontro, quem sabe meus amigos estariam me esperando com a ciganinha.

Por mais que eu corresse não conseguia chegar ao nosso ponto de encontro e eu tinha certeza que estava perto, dado, aos lugares que já havíamos passado e que eu reconheci.
Continuei a correr. Aqueles ruídos apareceram novamente, só que agora dentro da noite fechada.
E continuaram cada vez mais forte quebrando galhos.
Os tropéis pareciam que me alcançariam mesmo que eu corresse sem parar.

Algumas nuvens pesadas se afastaram dando lugar a tímida lua fraquinha. 
 Me ajudando com a escuridão da noite que eu só podia enxergar devido aos meus sentidos Elfos apurados. 
Nesse momento os tropéis estavam bem perto acompanhados por uma espécie de latido longo como os coiotes. Eu pensei:

- É uma manada de lobos famintos e não vão me ouvir se eu tentar dissuadi-los a não me atacar. Então preciso arrumar um local seguro! 

Desobedecendo Elessar eu comecei a subir em uma árvore... Antes que eu conseguisse chegar ao primeiro galho para me segurar levei uma pancada tão forte nas costas que me arremessou de encontro ao tronco da árvore que eu subia, em seguida eu despenquei caindo de costas. 
Abri os olhos ainda tonta sentindo muita dor e diante de mim, me olhando deitada no chão estava a fera que eu tinha visto na noite anterior.
 Rosnando e babando como um lobo gigante e faminto.
 Fechei os olhos... E esperei ser devorada...

Senti meu corpo ser arrastado pela floresta , mas continuei com os olhos fechados. De repente ele parou de me arrastar.
Esperei uns segundos a dor lancinante das garras dele dilacerando meu corpo. Mas houve apenas silêncio. 
Quando abri os olhos estava diante de meus amigos. Todos eles. Fechei os olhos de novo, só poderia ser miragem, sonho, sei lá o que. 

Mas graças a Febeh! Eram mesmo eles em companhia do cigano Mat. 
Elessar se abaixou sobre meu corpo e me examinou para ver se tinha algo quebrado antes de me pegar do chão. Meus ossos estavam perfeitos, eu tinha apenas um arranhão profundo nas costas feitos pelas garras da fera, que sangrava muito. O cigano Mat pegou umas ervas amassou entre as mãos e deu a Elessar que colocou em cima da ferida para estancar o sangramento. Ardeu muito... Mas parou de sangrar.

Elessar me perguntou por que eu não tinha cumprido o acordo e vindo para a árvore como combinado? 
Contei a ele que essa era a segunda vez que eu estava vindo até a árvore, mas que não conseguia chegar por mais que eu corresse. Que na noite anterior eu havia passado toda ela andando em círculos. Contei também sobre o Lenhador. E sobre ele me mandar correr. 
Mat olhou assustado para Elessar que ficou mais branco do que ele já era. O cigano examinou o arranhão que não tinha visto ainda só sabia dele pelo sangue que jorrava e falou:

- Esse arranhão foi feito pelas garras da besta!! Então, precisamos leva-la até meu Kaku para curá-la com certeza voce não poderá fazer Elendil a Besta é Magica.

Eu perguntei o que teria de tão especial nessas garras que só um mago pudesse curá-las. Elessar e Mat olharam-se e o cigano disse:

- Querida! Nós não sabemos o que pode acontecer a voce se não for curada rápido. Vamos até a tenda de Dory.

Elessar me pegou nos braços e rumaram para a tenda  do Kaku de Mat.
Mah chorava sem parar se achando culpada por isso, não adiantava dizer que ela não tivesse culpa. Chegamos a tenda do Kaku: 
Um cigano que nos encantava com as forças que emanava de seus olhos. 
A tenda dele era cheia de coisas estranhas como: animais empalhados, vários potes de vidro com coisas estranhas neles; como olhos, cobras, dentes e outras coisas indecifráveis.
Quando ele me examinou e viu o arranhão falou apreensivo:

- Hummmm. Não é bom! Isso não é nada bom! Preciso te contar uma coisa doce Elfa. Não poderei te ajudar. Voce só poderá curar esse arranhão e suas consequências se esfregar sobre a ferida uma orquídea. Se voce não conseguir fazer isso até a próxima lua cheia no primeiro crepúsculo da mesma voce será uma fera como a “besta do Lenhador”

Elessar gritou!

= Nãão!!! Não pode acontecer isso!

Mat disse:

- Acalmem-se! Estamos em uma floresta! Logo arranjaremos uma orquídea e ela estará salva dessa magia maligna.

Nossa alegria durou pouco. Somente no decorrer do termino da frase de Mat até o Kaku dizer:

- Seria fácil se essa orquídea nascesse aqui. Mas ela só nasce em uma montanha que fica a dois dias daqui. A próxima lua cheia se dará em três dias. Voces levarão dois dias para irem e dois para voltarem não dará tempo.

= Dará sim se a levarmos conosco! - disse Elessar

- Mas ela atrasará vocês - disse o Kaku

Elessar se despediu, agradeceu decidido de que iríamos todos e saímos da tenda do Kaku estávamos seguindo para a casa do senhor Aron quando Mah teve a ideia:

- Eu posso leva-los com o meu bastão, mas preciso saber exatamente onde fica.

Mas logo foi retrucada por Dseyvar.

- Não pode Mah! Estaríamos usando magia, o que faria com que não tivéssemos mais a chance de salvar o cigano.

- Mas isso é uma emergência e não estaríamos fazendo magia para o Magno e sim para Sigel - Disse a ciganinha

= Ele está certo Mah! Nós já saímos em caravana para irmos aos arcanjos.

Elessar falou  sendo cortado de imediato por Magno.

- Eu abdico da chance de cortar meu feitiço! Não quero perder Sigel e muito menos quero ter que mata-la depois que ela virar um monstro.

- Temos uma chance! Voces abandonam a elfa e seguem viagem. Depois que vocês forem, eu a levo a montanha, assim não estaremos em arbitrariedade.  Disse o cigano Mat.

- Não! Como saberemos que deu certo? Ela está aqui por minha causa! Não podemos nos separar fomos avisados disso.

Falou Magno indignado. E o cigano Mat perguntou:

- Não confiam em mim?

Dseyvar que não conhece muito de Mat perguntou abusado:

- E voce? Julga-se digno?

Engoli em seco e o cigano Mat replicou:

- Entendo não sou do grupo de vocês. Não sei se sou digno, mas quero tentar.

Fez-se um longo silêncio... E Elessar falou:

= Dseyvar é jovem e tem a força de sua raça. Eu sou mais velho e gabo-me de poder decifrar um ser com mais clareza! Não faço objeções de que Mat a leve para salvá-la.

Meu alívio foi tamanho, mas senti-me vazia por dentro como se meu corpo houvesse sido atravessado por uma tempestade. Eu ouvia aquela discussão por mim sem nada dizer. Os olhos de Elessar faiscavam...
A face dele nitidamente desenhada contra as sombras oscilantes do fogo que acenderam para aliviar o frio que fazia. 
Olhei-o por um instante e tive a certeza que mesmo que eu me transformasse em uma besta, eu reconheceria aquela face... Mesmo se eu estivesse louca...
E pensei entre a terrível dor que sentia pelos arranhões e pela grande pancada contra o tronco da árvore:

- “O que será esse sentimento que me aflige em relação a esse elfo?
 É uma gama tão excepcional de sentimentos que me assusto”.

De repente com um rufar de asas ensurdecedor um grande pássaro pegou-me com as garras dos pés, diante os olhos surpresos de todos e voou comigo.....

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