Feridos

6º Episódio
Capitulo I

Dseyvar ficou com o “anão” enquanto Sitaara foi até Vangah..
O “anão” era boa gente! Não deu muito trabalho. De repente ele olhou para as mãos de Dseyvar que absorto em pensamentos passava uma “runa” entre os dedos.
O “anão” imediatamente passou a mão nos bolsos e disse

- Argg aquela Elfa!

Depois se dirigiu a Dseyvar com muita  reverência e disse:

- Senhor Elfo! Me perdoa a ousadia, propriamente dito o abuso em dizer isso, mas esse objeto em suas mãos pertence a mim.

- Como assim pertence a ti? Minha amiga me mandou segurar.

- Pois é Senhor! Ela retirou dos meus bolsos durante a revista.

 Respondeu o “anão”

- Mas esse é o propósito de se revistar alguém, retirar da pessoa todo objeto que se pareça perigoso. 

 Concluiu Dseyvar continuando a manusear a pedra entre os dedos, o toque era bem gostoso. O “anão” disse maliciosamente dessa vez.

- Tudo bem Senhor! Suponhamos que essa “runa” seja uma proteção do meu povo apenas para mim e que amaldiçoa qualquer Elfo que a tocar??

Dseyvar olhou sério para Enrico com uma expressão mesclada de desconfiança e medo e jogou a pedra no chão. 
Ele teve uma reação tão rápida e inesperada que o “anão” achou muito boba e deu uma gostosa risada. Pedindo desculpas em seguida. 
Depois abaixou-se e pegou a pedra entre as mãos atadas  e disse acalmando Dseyvar que esfregava as mãos nas vestes.

- Acalme-se Senhor Elfo!  É apenas uma “Gifu – A Runa do Perdão” Foi um presente das mães ciganas para me proteger durante a caçada a Mah!

Dseyvar continuou olhando para o “anão” em silêncio e pensando: “qual seria a verdade da “runa” proteção ou maldição”?
Embora ele nunca tivesse ouvido falar que “runas” protegessem pessoas. 
Mas afinal de contas Enrico era um anão e ele conhecia muitas coisas  ruins sobre os anões e  esse anão poderia estar mentindo.
 Por outro lado ver Enrico falar de sua “runa” com tanto carinho despertava um sentimento bom no Jovem Elfo.
Dseyvar se levantou da pedra que estava sentado, desamarrou o humano e segurou a mão dele onde continham a “runa” com as duas mãos e disse:

- Desculpa ter jogado sua “Runa” no chão! Guarde sua proteção com carinho.

A voz do Jovem Elfo saiu quase como um sussurro perto do ouvido do humano que ele olhou para cima assustado pronto para dar um chega pra lá naquele elfo sedutor, Mas ao encontrar os olhos tristes de Dseyvar ficou penalizado e disse;

- Está bem eu guardarei sim. Ela irá proteger a todos nós na caçada dos raptores da ciganinha.

Dseyvar agradeceu com um aceno de cabeça e o chamou para continuarem a caminhada até a fronteira onde marcou encontrar Sitaara e os demais.

Enquanto isso, estávamos procurando Sunahara! Elessar que possuía facilidade com transporte ia e vinha até nós, até que em um devido momento Ele disse ter encontrado a mente de Magno no Tigre e que ele tinha uns inimigos na mira de suas garras, Elessar pediu que ele não arriscasse sua vida que estávamos indo ao auxílio dele.

Nós  descemos a montanha de Vangah o mais ligeiro possível. Ao chegar a floresta do sopé da montanha, ouvimos o rugido de Sunahara um tanto distante. Seguimos a direção correndo o mais rápido que conseguíamos. 
Eu já conseguia saltar os obstáculos como Elessar. E Sitaara não tinha dificuldade em nos alcançar. Embora ela nunca tenha saído do seu reino muitas vezes, a não ser para encontrar-se com Emre. Sitaara não se aventurava em conhecer outros lugares, para não aborrecer seu Rei que não gostava que seu exército se afastasse muito dos limites do seu reino.

Chegamos a um largo onde haviam muitas árvores derrubadas o que quase nos deixou sem ar.
 Foi muito triste ver aquilo.
 Elessar parou escorou a palma da mão em uma das árvores sobreviventes e abaixou a cabeça em uma oração vinda do fundo de seu coração pedindo para as árvores restante que nutrissem as que foram arrancadas...
 Nisso ouvimos um grito...

Eu pedi para que ficassem atentos, porque Sunahara poderia estar em sua forma gigantesca e ele não reconhecia as pessoas nesse estado de sua mutação.
Mas a frente, o encontramos com uma flecha fincada no lado direito do seu lombo...  Não sangrava, mas parecia dor muito dado aos seus rugidos.
Ele estava em cima de um guerreiro “Sulka” ainda vivo! 

Os "Sulkas eram guerreiro das terras lodosas. Eles usavam armaduras emborrachadas que iam dos seus pés até sua cabeça, deixando apenas olhos, nariz e boca descobertos.
Eram uma espécie de humanoides de pele escorregadia. Medindo mais ou menos dois metros de altura, muito esguios e magros, possuíam ossos maleáveis dando a eles a facilidade de correrem de quatro como aranhas.
  
Os “Sulkas” viviam espalhados pelo atual território ocupado enquanto seus pântanos estivessem bastante úmidos depois emigravam para outra floresta.  
Sunahara mantinha embaixo dele o líder do grupo enquanto os outros que tentaram salvá-lo estavam mortos.  O líder estava paralisado diante dos rugidos furiosos do tigre.
Chegamos bem devagar para não irritar Sunahara. 
Elessar com sinais nos avisou que havia outros espalhados e prestes a atacar e esses seres agiam com brutalidade. Precisávamos resolver o que faríamos e bem rápido.

Elessar nos alertou que não chamássemos o tigre por Magno como é a nossa primeira atitude ao vê-lo em perigo. Não queríamos salvar o líder  Queríamos apenas que os que se aproximavam “em surdina” não atirassem mais flechas no nosso amigo tigre.
O objetivo dos “Sulkas” não era matar elfos nem pegar tigres para nenhum bruxo ou coisa parecida, o objetivo deles era saquear a maior quantidade de bens possível. Só morria quem tentasse impedi-los.
Com certeza atacaram Sunahara para retirar sua bela pele e se deram mal.

Os adolescentes também participavam dos assaltos para provar sua bravura arrebentando a cabeça dos inimigos.
Enquanto estávamos nos aproximando cautelosamente, um dos “Sulkas” Pulou na nossa frente tentando cortar as pernas de Sitaara que estava mais próxima dele com o objetivo de nos imobilizar rapidamente. Sitaara foi salva por suas botas longas revestidas por várias camadas interlaçadas de “Kevlar” uma malha de prata semelhante ao sisal: leve, flexível e cinco vezes mais resistente que o aço, um presente do Semideus Emre.
Sabendo do jogo sujo de nossos adversários nos preparamos para ele. 
Eu sem conhecê-los bem entrei em um combate corpo a corpo com um deles, para tentar acabar com ele usando meu punhal... Assim que ele veio em minha direção, me joguei no Chão e rolei fazendo uma cambalhota,  batendo com o pés em seu peito, ele se desequilibrou dando vários passos para trás eu continuei com a cambalhota parando de pé em frente a ele antes que ele caísse.

Na posição frente a frente aflorei minhas garras e furei suas “veste-armadura” de borracha, nos ombros segurando forte,  firme! E enfiando as garras até a sua carne. Depois dei um puxão e o joguei por cima da minha cabeça, deixando meu corpo ir junto com o golpe com o objetivo de sentar em seu estomago e socar sua cabeça.
Ledo engano! Ele aproveitou da minha posição e mordeu meu pescoço tentando romper minha artéria, a dor foi lancinante, mas eu bati nele com o cotovelo bem na fronte matando-o na hora.

Enquanto Sitara veio me acudir foi golpeada na cabeça por um dos machados que um deles atirou na direção dela abrindo uma enorme fenda na sua cabeça e a fazendo cair ao meu lado tonta e fora de combate.

O que lutava com Elessar usava uma espada e um machado em conjunto, mas o Elfo era um guerreiro. Fingiu permissão do golpe com o machado. Quando o “Sulka” O atacou com toda sua força com o machado usando a mão esquerda, com a intenção de ferir profundamente minando a força do Elfo e em seguida cortá-lo com a espada de preferência degolando, já que sua grande espada pesava uns quinze quilos.

Mas Elessar num movimento rápido e sem que ele esperasse segurou o machado e puxou!  A espada do "Sulka" que vinha descendo para acertar Elessar na sequencia do golpe armado por ele. cortou o próprio braço do “Sulka” que berrou alto. 
Conforme ele arriou com  a dor  Elessar o chutou na bunda jogando-o  estirado de cara no chão, pegou a espada dele e  levantou girando o corpo decepando a cabeça do “Sulka” que vinha pela esquerda. Em seguida mudou a direção do giro e  E feriu na cintura o que vinha pela direita. 

Outros dois que saíram da lama atacaram-me, mas eu estava sangrando muito para lutar. Sunahara com um salto maravilhoso derrubou os dois de uma só vez e mordeu no pescoço de um deles enquanto o outro tentava levantar, mas eu joguei meu punhal acabando com a graça dele. 
O líder aproveitou apara fugir, mas Sunahara não deu essa chance a ele. Mesmo com a flecha enfiada na sua coxa traseira direita ele correu atrás do líder e acabou com a festa dando uma bela patada na lateral do “Sulka” colocando suas vísceras para fora.  

Quando acabaram nossos oponentes... Nos olhamos espantados!  Triste e decepcionados conosco mesmo!
 Depois de passarmos por um exército de criaturas gigantes quase fomos derrotados por magricelas gosmentos.

 Elessar  arrancou a flecha da coxa do tigre  e chamou por Magno. 
Ele precisava nos levar para Uhat. E Magno como Sunahara  não iria conseguir permanecer na formação para o transporte.
Acontece que não era apenas chamar por Magno que ele retornava como um bom menino.... Não meus queridos!!
Percebemos naquele momento depois de todos nós berrarmos por ele por um bom tempo que não era assim que acontecia a mutação.

Ela aconteceria involuntariamente. 
Como um grito de amor. Um momento em que tentássemos salvá-lo ou salvar-nos e não a nosso bel prazer.
 Então Elessar se arranjou com o que tinha às mãos.

Fez um unguento com os frutos do “agárico” (visco) cortou e macerou os frutos para fermentar e produzir uma cola que fechou os cortes de Sitaara e meu.
 Ou sangraríamos até morrer. 
Amarramos Sunahara em uma árvore,  Elessar cavou o local onde a flecha foi introduzida com sua faca de caça, depois cauterizou enfiando na ferida a faca quente para fechar todos os nervos e artérias atingidas e não causar uma infecção. 

O pobre Sunahara rugia como se fosse sua morte. Depois adormeceu. Estávamos todos prontos para continuar a caminhada de volta para Uhat. Elessar nos pediu que mesmo que acontecesse algo muito sério. ( até parece que o que acabara de ocorrer não foi muito sério). Não despertássemos Magno. Porque ele sentiu que como tigre a “bola de cristal do Mandíbula” não conseguia encontra-lo.

Enquanto fazíamos o caminho de volta Dseyvar e Enrico resolveram sair em busca de Mah. Estávamos demorando e qualquer demora poderia custar a vida da ciganinha.
Primeiramente tentaram saber tudo sobre Mah no acampamento.
 Com certeza foi por esse motivo que Enrico foi enviado na expedição de  busca.
Ele era apaixonado pela moça, mesmo nunca sendo capaz de dizer tal coisa a ela. Primeiramente porque ele não era muito alto, não era um bom dançarino nem sabia cantar.  O que eram predicados de beleza masculina cigana. Para juntar em todas essas coisas contra ele. Enrico ainda era virgem, nunca teve sequer uma namorada.
Mas conhecia tudo sobre a ciganinha.  

Então o "Anão" passou a ser o parceiro de Dseyvar ao invés de seu prisioneiro como Sitaara deixou ordens. 
Os dois juntos colheram toda informação possível para fazer uma análise bem fundamentada de quais os locais mais prováveis que Mah poderia estar.
 Indo por suas próprias pernas ou sendo raptada.
 Em Uhat havia mata fechada, floresta, montanha, rios e quedas.
Em geral, a tendência é que estas ocorrências tenham maior incidência em certos setores, razoavelmente previsíveis. Não esqueceram a influência do comportamento e do humor da ciganinha.

Capitulo II

Enquanto seguiam as pistas para encontrar a ciganinha  Dseyvar perguntou de repente enquanto ouvia o coração de Gaya com o ouvido no chão:

- Como voce conheceu a Mah Anão?

- Primeiramente para de imitar aquela Elfa metida e me chamar de anão sou apenas de baixa estatura.

- Anão também é!

- Ah ta bom já sei! Anão é uma raça. 

- Isso! Me responde o que perguntei.

- Nascemos no mesmo acampamento. Ela é neta do Barô

- O que é um Barô?
- É um líder, ele é como um Rei em seu mundo, todos nós lhe devemos obediência. Ele pode atuar também como Juiz advogado e carrasco.

- Me conta um pouco sobre ela. Eu a amo muito ela já esteve em mim.

- Esteve em voce??? O que quer dizer com isso?

Perguntou Enrico assustado olhando para cima tentando ver a reação do Elfo nos olhos. E Dseyvar respondeu com tranquilidade:

- Foi mágica! Algo que se faz para ajudar um amigo;

- Hummm Sei não!

Disse Enrico e Dseyvar pediu:

- Como é? Fale dela enquanto caminhamos, ela não é um animal e não precisaremos ficar em silêncio enquanto seguimos seus rastros.

Enrico deu de ombros e começou contando sobre a cigana.

- O pai de Mah é nosso Rei Cigano.

Um homem muito fechado em suas tristezas. Eu fui estudar longe, e quando voltei ao acampamento Mah já era uma mocinha muito linda Fiquei encantado com seus cabelos cacheados e claros como o sol e sua pele branquinha como porcelana. Ah! O sorriso dela era muito cativante e reconfortante. Havia recebido em nosso acampamento fina educação o que a tornava mais linda ainda.
 Mas não era feliz... Após a morte de sua mãe a pessoa mais importante da sua vida. Eram como duas almas gêmeas..

 Ela morreu de uma grave doença coronária que nenhum médico descobriu. Voltamos a ser amigos e confidentes. Mah queria muito que seu pai a abraçasse, mas ele nem percebia isso, o carinho que recebia era das mães ciganas. (Chamamos assim as mulheres mais velhas que cuidam de tudo em um acampamento. são sábias) Certo dia depois de me contar que ela queria esse abraço, foi dormir chorando e eu me despedi deixando-a com sua tristeza.

Pela manhã Juan o pai de Mah foi ao seu trailer e a chamou para o café.... Ela resmungou rolando de um lado para o outro na cama e pensou:

- “Eu hein! Desde quando papai toma café da manhã comigo?? Vai me encher o saco pela minha cara inchada”!

O Sol entrava pela grande janela do seu trailer, Mah abriu os olhos lentamente esfregando-os e se levantou. Ajeitou-se um pouco calçou as pantufas e se dirigiu a grande tenda onde faziam as refeições. A vista era maravilhosa havia um canteiro de magnólias que Mah amava e conversava com as flores.
 Quando avistou seu pai lendo um jornal ela disse a ela mesmo;

- Vamos lá Mah Esperanza!

Sentou-se a mesa respirou mais uma vez e disse com docilidade:

- Bom dia papai!

Juan olhou para ela da mesma forma de sempre, porém Mah achou que algo estava diferente. Achou que o olhar dele não estava tão frio como antes.

- Bom dia filha!

Ele disse mandando um sorriso gentil para filha. Mah arregalou os olhos e pensou:

-“ Ué! Que bicho mordeu o senhor Juan?”

O senhor Juan não conseguiu segurar um sorriso vendo a reação da filha e perguntou:

- O que foi? É tão estranho assim me ver um pai sorrindo para sua filha?

Mah não respondeu continuou olhando intrigada para seu pai, mas não disse nem fez nada. Juan saiu da almofada que estava e sentou ao lado da filha. Ela olhava tudo aquilo quase sem respiração de tão incrível que era. E pensando

“ – Santa Kali o que está se passando na cabeça dele”?
De repente ele disse:

- Me desculpa!

E pousou a mão sobre a mão de Mah e continuou:

- Eu sei que depois que sua mãe morreu eu passei a ser uma pessoa muito pior do que eu era, mas eu quero mudar.

Ele olhava para a filha com tanta ternura que Mah sentiu as lágrimas banharem seus olhos. Ela esperou tanto por isso! Aquele estava sendo o dia mais feliz de sua vida.  E num impulso Mah abraçou o pai com todo coração e disse:

- Eu amo voce papai!

Juan apertou-a bem forte e concluiu:

- Eu te amo muito mais filha!

Depois disso Juan olhou para Mah com um sorriso muito doce e carinhoso e disse:

- Vai ficar bem bonita, dê uma volta pela cidade se voce quiser, que logo mais durante sua festa, tenho uma ótima surpresa. Afinal voce completa 18 anos de vida.

Definitivamente Mah arregalou seus belos olhos claros! Ele nunca a deixava sair... E lembrou-se do seu aniversário! 
Seu pai nunca havia dito uma vez se quer “Parabéns filha”! 
Juan deu a ela uma pequena caixinha, Mah abriu eufórica, dentro havia um colar com uma estrelinha de safira. Mah olhou maravilhada e disse;

É lindo papai!

- Fico feliz que tenha gostado posso por em voce??

Juan colocou o presente no pescoço da filha e sorriu feliz porque definitivamente o colar combinava com sua menina. Juan tinha resolvido se tornar um pai carinhoso e protetor.
Um amigo para sua pequena. Ele amava Layla sua esposa e claro que fazer feliz a filha dos dois era maravilhoso. Mah colocou a mão sobre a joia e perguntou:

- É verdade que eu poderei sair do acampamento papai?

- Não só pode como deve! Poderá sair sempre que quiser! Voce é uma Princesa. certo? Não é minha prisioneira. Agora preciso trabalhar arrume tudo que quiser para sua festa logo mais, se precisar de algo me avise.

As ciganas se encarregaram de arrumar tudo para festa. Mah comprou na cidade um vestido lindo com um decote que mostrava a beleza de seus seios fartos e obviamente pôs o colar maravilhoso que ganhou de seu pai
Estava tudo pronto! Só faltava seu pai vir busca-la para festa.
Passado mais ou menos meia hora seu pai a chamou;

- Mah querida! Venha preciso te mostrar uma coisa! A surpresa que te disse.

Mah deu mais uma olhada no espelho ajeitou os cabelos, colocou uma rosa  entre os seios e abriu a porta do trailer. Juan arregalou os olhos e disse estupefato:

- Santa Kali! Minha menina cresceu e eu nem vi.

Mah saiu e deu um grande abraço nele e foram para a festa! As fogueiras crepitavam e os músicos não faziam cerimônias. Quando a festa estava no auge com a “dança da encharpe” Trazendo os Violinos, sanfonas, pandeiros e violões ritmando as dançarinas com suas saias rodadas e bem coloridas, enfeitadas com muitas bijuterias e esbanjavam liberdade em seus movimentos.

Juan subiu no degrau de anúncios e pediu alguns minutos aos músicos. Quando pararam ele anunciou:

- Meus queridos! Tenho agora grande prazer de anunciar o noivado de minha pequena Mah!

Mah quase desmaiou!!! Ela sabe que entre o povo cigano, os casamentos são feitos entre ciganos! E que apenas as noivas podem não ser ciganas. Ou seja: um noivo cigano pode casar com uma mulher que não faça parte da tribo, mas uma cigana não pode se casar com um não cigano.
Mas ela não esperava que fosse assim.
Instantes depois entrou o Barô aquele senhor que eu falei antes que preside a Kris Romaris (Conselho de Sentença ou grande tribunal com suas próprias leis e códigos de justiça, onde são resolvidas todas as contendas e esclarecidas todas as dúvidas entre os ciganos liderados pelos mais velhos) e avô de Mah trazendo um belo cigano em sua companhia. O Barô disse:

- Venha até aqui minha filha para que eu dê minha benção a voces dois:

Mah tinha os pés colados no chão! Não conseguia se mover nem tampouco dizer nada, tão grande foi a surpresa. Juan vendo que sua filha estava muito assustada foi até lá busca-la.

Mah falou para ele

- Eu não quero um noivo desconhecido!

- Voce não pode escolher filha!

- Mas eu não amo esse cigano!

- Voce vai amar! Todas amam seus maridos.

- Pai! Não é isso que eu penso do amor!

- Tá bom! O que voce pensa? Embora de nada adiante, já assinamos o casamento.

- Pai! Em minha opinião: para que o amor seja bom será preciso que ele transtorne o coração, que esfrangalhe os nervos e devaste a cabeça! Seria preciso que ele fosse... Bem como diria? Perigoso, terrível mesmo, quase criminoso, quase sacrilégio, que fosse uma espécie de traição.

O que quero dizer é que o amor tem necessidade de romper barreiras sagradas, laços fraternais, quando ele é tranquilo, fácil, sem perigo, Eu não acho que seja amor.

Nisso chegaram diante do noivo que estava completamente encantado com a beleza da noiva que ele acabava de conhecer. Pai e filha se calou: 
O noivo se apresentou com sua voz tranquila e quente. Mah ficou em silêncio olhando os lábios carnudos dele se moverem quase sem ouvir. Com uma sobrancelha suspensa e a cabeça meia de lado.

O Barô falou cerimoniosamente !

- Apresente-se Cigano!!

Magno: -Aqui estou perante todos.
Barô: - Quem és tu entre nós?

Mago: - EU SOU o Cigano Magno Matias Sou descendente dos Benis que vieram da Síria.
Meu Clã é o “Tigre Dourado” Sou um cavaleiro da noite e do dia, homem forte e corajoso!

Padrinho: - Para ser a força de um grupo precisas ter tradição! Cigano o que sabes do seu povo?

Magno: - Eu aprendi com meu Patriarca que os ciganos são "povos das estrelas" e para lá voltamos quando morremos.

Madrinha: - Sua crença está em Kali? Qual o seu discernimento Cigano?

Magno: - Para nosso povo tudo é “Maktub” Ou seja (estava escrito) Eu acredito no destino!

Povo: - Proverás sustento e alimento para sua noiva e com teu sapateado ajudarás a Mãe -Terra a sentir teu lamento cigano!

Barô – Está feito!

Mah continuou muda observando aquele desconhecido! Todos estavam em silêncio esperando a reação dos noivos:
A ciganinha destemida segurou na ponta de suas saias abriu seu leque e afoita como é, olhou desafiadora para o cigano! E pediu aos “tocantes”

- Eu Quero um "Jondo"! Eu vou "marcar o cigano"

Magno olhou para todos esperando o que diriam, estavam todos prontos com seus instrumentos
"Jondo" é um canto criado pelos Ciganos para incentivar algo que eles precisem muito fazer.
Não usam instrumentos: o canto é levado nas palmas curtas e nas vozes dos "cantantes".
O "cante Jondo" se aproxima ao ritmo dos pássaros, a música instintiva do choupo-negro e as ondas;
É uma alusão ao pássaro e seus fragmentos sendo devorados pela areia, Mas que no dia seguinte, ele aparece vivo como a primeira manhã de sua vida.

É um canto simples na sua forma e estilo vocal de flamenco, uma forma não degradada da música popular da Andaluzia, cujo nome significa "canção de profundidade".
Ao dançar um “cante Jondo” Um Cigano espera que um ente se aposse dele e inspire-o para que ele seja capaz de fazer ou não o que deseja verdadeiramente! Com um sentimento profundo.

Magno era um cigano e ele sabia que para uma dançarina cigana “Marcar o cigano” era prendê-lo; Isso é: não dar liberdade para os movimentos dele.
E Magno gostava da emoção espontânea e do inestimável encanto que uma Cigana transmite quando dança com toda a sua desenvoltura, arte e beleza.
Joaquim Cortés

E ao pedir na sua noite de noivado um "cante Jondo" sua noiva mostrou coragem, força interior e liderança!

Magno não teve medo do “dance Jondo” usou um estilo de dança flamenca, com seus movimentos característicos de braços e de tronco, porque tinham certa similaridade com a dança clássica Kaldarash que era a dança de sua tribo. Os movimentos eram centrados na região do tórax e ele usou o máximo de espaço acima da cabeça para executar os movimentos de braços e mãos, rodando em volta de Mah sem atrapalhar a cigana na evolução das suas saias.

Magno e Mah dançaram com toda sua alma. Tendo como ritmo as palmas curtas e as vozes dos ciganos que pareciam vindas do fundo do ser! Eles faziam assim para que os espíritos se certificassem do desejo de Magno e o ajudassem.

Depois de mais ou menos 50 minutos de passos fortes e exaustivos eles terminaram sendo aplaudidos magnanimamente por todos. Todos já conheciam a beleza e sensualidade da dança de Mah. Mas a dança de Magno foi surpreendente para todos. 
Depois de dançar maravilhosamente! Magno com elegância ofereceu sua dança aos presentes com um gesto com as mãos e foi aplaudido compulsivamente.....

Enrico se calou e Dseyvar perguntou:

- E voce onde estava?
 Enrico respondeu triste:

- Eu batia em minhas mãos e cantava com toda minha alma o "cante Jondo" mais triste da minha vida. Porque estava perdendo meu amor para um cigano que eu não tinha como competir.

- Mas voce mesmo disse que Mah falou que amor não é isso.

- Eu sei Elfo! Mas nosso povo não desobedece aos mais velhos. É por isso que somos tão unidos. E olhe para mim! Voces me chamam sem cerimônia de anão!
Magno é um Príncipe Cigano,  é belo, corajoso e sabe dançar e cantar.
Olha!

Enrico deu um grito e apontou uma barraca de camping com um lenço pendurado na entrada, era um lenço de Mah.

Foram até a barraca com muito receio do que veriam... Eles... Encontraram o corpo da ciganinha totalmente inerte. Ela estava muito pálida. Olharam em volta: haviam cinzas de alguns incensos queimados.
 Enrico começou a chorar e se abaixou para pegar nos braços a ciganinha....

- Não toca nela! Afaste-se já!

Gritou Dseyvar e Enrico não aceitou isso, continuou o que estava fazendo. Quando a mão direita dele estava prestes a entrar embaixo da cabeça da ciganinha para dar o impulso de pegá-la nos braços Dseyvar o segurou com força pelos ombros e jogou-o longe. 
Enrico caiu estatelado na barraca derrubando o alambrado que a segurava, Dseyvar se levantou rápido para não deixar a barraca tocar na moça.
 Enrico levantou e veio furioso para cima do Elfo que pós a mão na cabeça dele sem nenhum esforço mantendo-o longe e disse :

- Fica quieto! Estou tentando encontra-la!

- Como encontra-la se ela está morta aí na sua frente! Seu Elfo idiota.

- Ela não está morta “anão” Apenas não está no corpo preciso de Elessar!

- “Outra vez Elessar.... Esse nome me dá calafrios e eu não sei porque”.

Pensou Enrico tentando colocar o ferro da barraca no lugar.
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